Três Marinheiros
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Beschreibung
Produktdetails
Einband
Taschenbuch
Erscheinungsdatum
15.06.2026
Verlag
Bredevoort van den BergSeitenzahl
108
Maße (L/B/H)
20,3/12,7/0,6 cm
Gewicht
126 g
Sprache
Portugiesisch
EAN
9798235984769
TRÊS MARINHEIROS - VIAJANTES NO MAR DO TEMPO - UMA NOVELA METAFÍSICA SOBRE O TEMPO E A MEMÓRIA - BREDEVOORT VAN DEN BERG UMA NOVELA METAFÍSICA SOBRE O TEMPO E A MEMÓRIA Três Marinheiros é um romance que respira a mesma água salgada ao longo de oito séculos. Bredevoort van den Berg acompanha o rasto de três presenças que insistem em regressar, não como dogma, mas como uma teimosia íntima que o oceano parece conhecer melhor do que as próprias personagens. O livro deslocäse da Coreia de 1949 para o Pacífico da Segunda Guerra, recua até à costa bretã do século XV e projectäse depois no silêncio estelar do século XXII, sem nunca largar a sensação física de estarmos dentro de um barco, com o convés a vibrar sob os pés e a linha do horizonte sempre em fuga. Não se trata de uma sucessão de vidas, mas de uma única memória partida em estilhaços que o mar devolve devagar. Em cada época há três marinheiros que não se lembram um do outro e que, ainda assim, partilham objectos, sonhos e um compasso de espera comum. O resultado é uma leitura que apela tanto a quem procura uma narrativa de aventura marítima quanto a quem persegue as perguntas mais fundas sobre destino, herança e a forma como aquilo que perdemos continua a viajar ao nosso lado. O barco sem nome jazia no porto de Yokohama como uma velha criatura marinha a descansar antes da matança. O casco afundado na água, os conveses imóveis, os mastros nus contra a luz cinzenta da manhã que rompia as nuvens, aquela hora de crepúsculo entre a noite e a madrugada em que o mundo suspende a respiração e a fronteira entre a realidade e o sonho se esboroa como a névoa a deslizar sobre a água. A água produzia um ruído húmido e esfomeado, um ruído de mandíbulas a abrirem¿se que se propagava pelo ferro. Apenas números identificavam o barco, de um branco desbotado sobre as manchas de ferrugem, algarismos que nada significavam para o olho que os lia, ali postos só porque alguém, algures, decidira que tudo devia ter um nome, mesmo que o mar não entenda os nomes que as pessoas dão. O grande oceano primordial não se importava. O mar falava a sua própria língua, uma língua sem substantivos, só com verbos: quebrar, engolir, transportar, esquecer. O mar não precisava de nomes; conhecia as coisas pelo peso, pelo movimento, pela sua transitoriedade. Charley estava no cais, as mãos enterradas nos bolsos do casaco, a olhar para os números. Também eles um dia se apagariam, como a tinta, como o seu próprio nome, como tudo o que as pessoas tocam e julgam possuir. A manhã estava suficientemente fria para formar nuvens de hálito, pequenas brumas expelidas da boca que depois se dissolviam no nada. Observaväas, a maneira como a própria vida se tornava visível por um instante no ar gelado e logo desaparecia. A morte como uma nuvem de hálito a dissolver¿se na luz da manhã, a evaporar¿se no nada.
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