Beschreibung
Produktdetails
Format
ePUB
Kopierschutz
Ja
Family Sharing
Ja
Text-to-Speech
Ja
Erscheinungsdatum
05.10.2021
Herausgeber
Editora IluminurasVerlag
IluminurasSeitenzahl
112 (Printausgabe)
Dateigröße
1245 KB
Auflage
1
Sprache
Portugiesisch
EAN
9786555191066
Aqui, a poeta se coloca as questões que poderia ter-se feito a própria Julieta, se não tivesse sucumbido: quais as dimensões de ver, nomear, escrever, matar? Ao perguntar-se, ela nos ensina, já desde o primeiro poema, que do cotidiano surgem os mais intrincados enredos: se o mosquito assassinado pela unha da poeta retornará, cem anos depois, matéria de outra coisa, talvez até do poema ou do papel em que estará impresso (em "Matar é fácil), o livro, esquecido de propósito num banco de praça, que destino terá? (em "Abandonos"). Dito de outro modo, Ana Luísa Amaral extrai das miudezas cotidianas inquietações e, ao fazê-lo, aproxima-se da maior poeta latino-americana do século dezessete, a mexicana Sor Juana Inés de la Cruz, que em um de seus momentos de grande autoironia, dissera: "o que podemos saber as mulheres além de filosofias de cozinha?", para logo completar: "Se Aristóteles tivesse cozinhado, muito mais teria escrito". Pois é também nessa dimensão, de quem pode erguer monumentos reflexivos e líricos a partir de uma cena doméstica, que Ana Luísa Amaral exibe maestria. Num poema como "Pequeníssima revisitação a desejar-se", o eu lírico, ao mesmo tempo em que grelha um peixe, escreve uns versos e encena uma noite de Natal. O resultado é belo e desastroso: "Mas vede como, esquivo / o peixe se queimou, / e o verso em combustão / ficou desfeito!". Conclui ela cantando um quimérico peixe ideal: "o preclaro milagre / de um novo peixe, / aqui // E não este purê / sem cântico nem luzes nem noites estreladas: / matéria em que a batata, esquecida, / se tornou". Obra inquietante, bela e não isenta de humor, Lumes constitui-se na dialética entre ver e nomear, a partir do campo privilegiado que é um poema a escrever-se. Seja em seu título original, seja em seu título brasileiro, a pergunta insiste, insidiosa: O que há num nome? O que com ele se pode ver?
O lançamento deste volume no Brasil coincide com a consagração da poeta pelo recebimento do Prêmio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana de 2021. É o justo reconhecimento para ela que, além se dedicar a pensar pela poesia, também o tem feito pela via acadêmica, na Universidade do Porto, onde leciona, e com obras incontornáveis como o Dicionário da crítica feminista, organizado em parceria com Ana Gabriela Macedo. De Ana Luísa Amaral, a Iluminuras já publicou Aras, Escuro e Vozes.
Wilson Alves-Bezerra
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